"O dom do produto de suas entranhas ao homem implica a metáfora de um pai: lança esse homem na experiência de usufruir do lugar de pai da criatura. O dom da mãe/mulher ao homem produz o pai. Isto é importante, pois se trata que a mulher recalque a espera de um filho de seu próprio pai - reparador do narcisismo infantil desgarrado pelo confronto com a diferença sexual - e em seu lugar consinta doar um filho a um homem marcado pela impossibilidade de ter o falo. Com esse gesto, uma mulher feita mãe reconhece em si mesma e no homem a castração, ou seja, aceita inconscientemente que é impossível ter o Falo, quer dizer, que a chave do desejo está, bem como sempre esteve, perdida. [...]
A doação do produto das entranhas maternas por uma mãe/mulher possibilita precisamente que ela habite a mesmíssima disjunção entre a mãe e uma mulher. A não renúncia ao produto de suas entranhas, o não reconhecimento que o filho seja do pai, apaga a disjunção, torna equivalentes a mãe à Mulher, na esteira da clássica interpretação minimalista do raciocínio freudiano: o querer da mulher encontra resposta no ser simplesmente mãe (de um bebê dado pelo seu marido em substituição do pênis outrora esperando do pai)."
Lajonquière, Leandro de. Figuras do infantil: a psicanálise na vida cotidiana com as crianças. Editora Vozes: Rio de Janeiro, 2010. p. 113-114.
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sábado, 24 de setembro de 2011
Pai
"O pai dotado de falo separa imaginariamente a criança da mãe, porém não por isso cumpre ainda a sua função. O pai deve acabar se revelando também castrado, isto é, deve ainda despontar no horizonte a idéia inconsciente de que o pai também renunciou ao incesto para que, assim, por sua vez, a cria sapiens possa vir a se desgrudar do casal parental e dar lugar a uma outra família, passando pelo crivo não familiar do social."
Lajonquière, Leandro de. Figuras do infantil: a psicanálise na vida cotidiana com as crianças. Editora Vozes: Rio de Janeiro, 2010. p. 90.
Lajonquière, Leandro de. Figuras do infantil: a psicanálise na vida cotidiana com as crianças. Editora Vozes: Rio de Janeiro, 2010. p. 90.
segunda-feira, 19 de abril de 2010
Sobre a educação das crianças 2
"Ela [a criança] seria mais bem educada por um pai judicioso e limitado do que pelo mais hábil professor do mundo, pois o zelo suprirá melhor o talento do que o talento ao zelo".
Rousseau, Jean-Jacques. Emílio, ou, Da educação. 3 ed. Martins Fontes: São Paulo, 2004. p. 26.
Rousseau, Jean-Jacques. Emílio, ou, Da educação. 3 ed. Martins Fontes: São Paulo, 2004. p. 26.
Ernest Jones, citando trecho de uma carta enviada a ele por Freud
"Naquela ocasião [A interpretação dos sonhos] apresentei o desejo de matar o pai e agora [Totem e tabu] apresento o assassinato mesmo".
Jones, Ernest. A vida e a obra de Sigmund Freud. Imago: Rio de Janeiro, 1989. v. 2.
Jones, Ernest. A vida e a obra de Sigmund Freud. Imago: Rio de Janeiro, 1989. v. 2.
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